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quinta-feira, 12 de julho de 2012

O que é fome

A fome de que se trata aqui significa a situação em que uma pessoa fica, durante um período prolongado, carente de alimentos que lhe forneçam as calorias (energia) e os elementos nutritivos necessários à vida e à saúde do seu organismo. Os especialistas em nutrição diferenciam dois tipos de fome: a global e a parcial.

A fome global, também chamada fome energética ou calórica, é entendida como a incapacidade de a ração alimentar diária ingerida por uma pessoa fornecer as calorias equivalentes à energia gasta pelo organismo nos trabalhos realizados.

Além das calorias, a alimentação deve fornecer determinados elementos nutritivos – como proteínas, vitaminas e sais minerais – que cumpram a função de restaurar as células, os tecidos e os órgãos de todo o nosso organismo. A falta prolongada de qualquer dessas substâncias na alimentação provoca distúrbios e lesões no organismo, com graves conseqüências à saúde. Essa é a fome denominada parcial ou específica.


A fome no mundo

A crise da saúde pública no Brasil

 Paulo C. Sabroza
Vice-Diretor
Escola Nacional de Saúde Pública

É praticamente consensual que existe uma crise no campo da saúde pública, alcançando a prestação de serviços, o ensino e a produção acadêmica. Esta crise, cuja face atual se remonta à década passada, teria origem na consciência acerca das limitações que colocaram em dúvida a viabilidade dos modelos explicativos mais bem elaborados, que entendemos sejam aqueles dos estados social-democratas ocidentais.

A primeira limitação seria fundamentalmente econômica, centrada na inviabilidade do estado provedor, e em última instância da sociedade, de suportar o aumento dos custos da atenção médica. Sumetidos às pressões de demandas inesgotáveis por cuidados que exigem recursos de alto nível tecnológico, promovidas pelos interesses de setores industriais e de grupos médicos organizados a partir da lógica do lucro, associados à ideologia da saúde como panacéia, estes sistemas teriam ficado inviáveis, quando o setor público perdeu a capacidade de regulação. A segunda, com implicações ainda mais sérias, decorreria da incapacidade deste tipo de atendimento de necessidades individuais e coletivas resultar em um nível maior de bem-estar e aumento da produtividade social.

Como alternativa, têm sido propostos sistemas dirigidos à promoção da saúde e não preferencialmente voltados ao atendimento das doenças. Na procura de projetos de uma medicina social renovada, o Estado manteria suas funções de regulação e financiamento, desenvolvendo ações em conjunto com organizações da sociedade civil.

Formas distintas de organização institucional, mudanças no padrão de consumo de bens e serviços, maior controle das políticas públicas por parte dos usuários e, principalmente, a necessidade de uma nova ética, com reafirmação de valores em relação à vida e à morte, seriam componentes de uma outra utopia capaz de retirar a Saúde Pública do impasse em que se encontra. Neste sentido, a atual crise da Saúde Pública não se circunscreve a loci regionais de produção de conhecimento e/ou práticas de intervenção em saúde, mas está inscrita e delimitada dentro de uma crise global.
É surpreendente como que, há décadas, prosseguimos falando de saúde como valor individual positivo, enquanto a violência, a adição de jovens a drogas cada vez mais destrutivas e o sofrimento decorrente da solidão disseminam-se rapidamente como resultado de processos coletivos, sem que as sociedades sejam capazes de reconhecê-los enquanto problemas de saúde. O retrocesso das condições de saúde traduz-se pela humilhante persistência da fome, pela manutenção de níveis elevados de mortalidade infantil, pelo aumento e disseminação de doenças previsíveis, pelo abandono e prostituição de crianças e pelo genocídio de grupos étnicos. Grandes fluxos migratórios favorecem a disseminação de agentes parasitários, facilitando o aparecimento de "novas" epidemias e endemias, enquanto a diminuição da capacidade de investimento e a desestruturação das comunidades tradicionais inviabilizaram a capacidade de resposta dos serviços públicos de saúde, de saneamento e o incentivo à produção de alimentos.

O projeto de uma nova Saúde Pública, dirigida a promover a saúde e não preferencialmente a cuidar da doença, deverá então entender e trabalhar a questão de que os seres humanos não têm apenas necessidades, mas também desejos e medos. Neste sentido, o sofrimento precisa ser atendido, inclusive quando os recursos técnicos não são mais capazes de promover a cura, problematizando assim as dimensões contraditórias da relação indivíduo/coletividade. A negação desta dimensão constitui-se claramente numa limitante ao desenvolvimento de uma nova saúde pública.

Por outro lado, os estados democráticos, junto com as organizações da sociedade civil, terão que, respeitando os direitos individuais, retomar a capacidade de intervir estrategicamente sobre os determinantes coletivos da saúde, mantendo a responsabilidade das pessoas frente aos processos de doença. Para tal, é essencial que as questões da saúde pública passem, cada vez mais, a ser debatidas nas propostas dos partidos políticos e outras instituições da sociedade civil, obrigando àqueles envolvidos na produção e reprodução do conhecimento a procurarem formas mais efetivas de comunicação e a diversificarem o elenco daqueles com os quais precisam estabelecer alianças capazes de viabilizar a construção do novo modelo.
 

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Portugal vai às ruas contra a política de arrocho do FMI/BCE


A Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP) está convocando para o dia 11 de fevereiro uma manifestação nacional “contra a política de terrorismo econômico e social, que agrava a exploração, a desigualdade e o empobrecimento”.
Conforme o secretário-geral da CGTP, Manuel Carvalho da Silva, o receituário ditado pela troika (Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e União Europeia) “empurra o país para o precipício”. “Trabalhamos para que seja uma grande manifestação de afirmação de alternativas”, acrescentou Carvalho, denunciando que o governo do PSD-CDS, subserviente ao grande capital, está querendo jogar o peso da crise nas costas dos trabalhadores, aniquilando o mercado interno.
“Querem precarizar as relações de trabalho, facilitar a dispensa imotivada, diminuir as indenizações e o valor do seguro desemprego, flexibilizar a jornada, atacar a contratação coletiva e promover o trabalho gratuito com a redução de feriados e dias de férias. Esta receita da troika só colocaria Portugal em condições ainda mais difíceis para enfrentar a crise”, destacou. De acordo com Manuel, é “fato confirmado” na Europa que a submissão ao receituário neoliberal, com corte de investimentos públicos, direitos e salários, “só coloca os países em situações piores” para se reerguer, citando como exemplo a Grécia.

 
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Plano de reestruturação da American Airlines é demitir 14 mil e arrochar salários


A American Airlines, que pediu concordata em novembro, anunciou que pretende demitir até 14 mil funcionários como parte do seu plano de reestruturação, o que representa 15,9% de sua força de trabalho atual. O plano tenta impor que mais da metade da redução de custos de US$ 2 bilhões seja conseguido através das demissões em massa, conforme carta do presidente-executivo, Tom Horton.
A proposta prevê reestruturar dívidas e arrendamentos de aviões, e aviões mais antigos serão aposentados. Além das demissões, a empresa quer arrochar em 20% sua folha de salários e cortar benefícios e pensões. A empresa aérea assevera que irá, ainda, gerar US$ 1 bilhão por ano em receita nova através de alterações em sua malha aérea e na utilização da frota. Terceira maior empresa aérea dos EUA e do mundo, a American Airlines tem dívidas que totalizam US$ 29,55 bilhões e possui 88 mil funcionários.

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